A China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil. Além da cobiça dos EUA às riquezas naturais do Brasil, o que mais lhe incomoda é a relação com a China que possui uma presença econômica significativa no Brasil, concentrada em setores estratégicos como energia, infraestrutura e mineração tecnológica. A orientação do governo nas parcerias internacionais trata de preservar a soberania econômica. Não segue a linha de governos fascistas como Milei que, atacam o comunismo, mas importam pneus mais baratos da China, derrubando a indústria nacional (FATE) com demissão total de 950 trabalhadores argentinos.
Tudo indica que a relação comercial do Brasil com a China baseada em importações, desenvolvimento tecnológico ou importação das terras raras, prioriza a soberania nacional e a defesa da indústria nacional brasileira. Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em ímãs de alto desempenho, turbinas eólicas, baterias, eletrônicos e tecnologia de defesa. O Brasil possui aproximadamente 23 % das reservas mundiais, atrás apenas da China, mas atualmente responde por apenas cerca de 1 % da produção global.
Há projetos de refino e reciclagem de ímãs usados, e produção de materiais de maior valor agregado, com parcerias internacionais. O Brasil está sendo considerado um parceiro estratégico por outros países, incluindo os Estados Unidos, que têm buscado financiar projetos locais e a capacidade de processamento de minerais críticos no país — inclusive através de incentivos para refino local. O governo brasileiro avaliou, mas não aderiu a certas iniciativas. O Ministério de Minas e Energia (MME), sob o lema “Nova Indústria Brasil”, iniciou estudos para criar uma política federal voltada a transformar o potencial geológico em desenvolvimento industrial.
Projetos e acordos Brasil-China
– Ferrovia transcontinental (Brasil–Peru): China e Brasil assinaram um memorando de entendimento para estudar uma ferrovia que conectaria a costa atlântica brasileira à costa pacífica peruana, com coordenação de especialistas chineses. Esse projeto visa integrar logística continental e reduzir tempos de exportação para a Ásia.
– Investimento na expansão de linhas de transmissão: A estatal chinesa State Grid está investindo em linhas de transmissão de alta e ultra-alta tensão no Brasil e ampliando a rede elétrica nacional, com aportes bilionários previstos até 2028.
– Geradores renováveis: Projetos de energia eólica e solar estão sendo desenvolvidos por empresas chinesas como a China Three Gorges (CTG).
– Investimentos em portos e logística com investimento no Terminal de Contêineres no Paraná (TCP) em Paranaguá, um dos principais polos de exportação do Brasil.
– A mesma empresa chinesa assinou acordos para adquirir participação majoritária em terminais de petróleo e logística no Porto de Açu (RJ), fortalecendo a presença chinesa no setor portuário brasileiro.
– Transporte urbano e interurbano. Trem Intermunicipal São Paulo–Campinas
– Obras da ponte que ligará Salvador à ilha de Itaparica.
– Criação de um fundo de investimento conjunto (Brasil-China) para impulsionar setores como energia, agricultura, infraestrutura e inteligência artificial.
– Parceria para construção de um hospital inteligente com tecnologia chinesa integrada e uso de IA (Inteligência Artificial) para gestão e atendimento, além de cooperação no desenvolvimento de medicamentos e vacinas.
– Acordos em IA e digitalização industrial: Acordos bilaterais incluem cooperação para digitalizar a indústria brasileira, formação conjunta em IA, centros de pesquisa e uso de tecnologia de ponta em setores produtivos.
– Economia digital e conectividade: Parcerias para desenvolver infraestrutura digital – como 5G, Internet das Coisas e centros de dados – visando cidades inteligentes e indústria baseada em dados.
– Cooperação agrícola: Empresas chinesas firmaram acordos com municípios brasileiros para implantar maquinário, digitalização e tecnologias para apoiar a agricultura familiar.
– Propostas legais no Congresso. Há projetos de lei em tramitação para: Restringir a exportação de minerais de terras raras sem beneficiamento ou refino no Brasil; Definir regras para fortalecer a indústria nacional e valor agregado.
– A mineradora Serra Verde iniciou produção comercial de terras raras no depósito em Minaçu (Goiás), com plano de produzir milhares de toneladas de óxidos de terras raras, usados em ímãs para motores elétricos e turbinas. Projetos avançados de exploração
– Programa de satélites CBERS. Programa de cooperação espacial que envolve o desenvolvimento e lançamento conjunto de satélites de observação da Terra desde os anos 1990, com tecnologia tanto chinesa quanto brasileira.
– Bancos e linhas de crédito; Acordos entre grandes bancos brasileiros (como BNDES) e instituições chinesas (incluindo o Asian Infrastructure Investment Bank) para financiar projetos sustentáveis e de infraestrutura no Brasil.
Uma questão que gerou certa controvérsia foi a notícia de que o Brasil não quis aderir à Nova Rota da Seda chinesa, por ocasião da visita de Xi Jinping em novembro de 2024. Esta matéria de Matheus Gouvea de Andrade e Bruno Lupion dá mais elementos sobre o tema: https://share.google/u7g4Ccy2vd7JRyRD8
Comitê de Redação
23/02026
Foto: Lula e Xi-Jiping (Crédito: Ricardo Stuckert)