Todo apoio à resistência histórica do Irã!


Todo apoio à resistência histórica do Irã!

O imperialismo norte-americano, sob ordem e desordem de Trump, e comando total do poder sionista, demonstra neste ataque brutal contra o Irã o desespero final do capitalismo mundial, como sistema frente ao progresso imbatível do chamado mundo multipolar, ou do Sul Global. Estes determinam uma nova relação de forças mundiais que tem como eixo a unificação socialista China-Rússia, o BRICS e a OCX (Organização de Cooperação de Xangai), que põem em xeque a hegemonia econômica dos EUA e das burguesias europeias. O BRICS e a OCX acabam de incorporar o Irã, secundarizam o dólar e discutem uma moeda alternativa.

O Irã não só é novo membro do BRICS, mas é um território de saída crucial da Nova Rota da Seda (Cinturão e Rota) chinesa rumo à Europa. No bojo da decadência imperialista dos EUA e da Europa, somam-se, à carência petroleira e energética desses países, a impossibilidade de responder às suas demandas econômicas e sociais internas. Ao contrário, a China não só assume mundialmente um polo de alto desenvolvimento econômico frente aos EUA, mas ao basear-se num Estado socialista responde a altas demandas sociais, sanitárias, científicas e culturais, sem carestia, nem desempregos no país.

A invasão contra a Venezuela seguida do ataque ao Irã no arco de dois meses, num quadro de descontrole total do imperialismo norte-americano, cavalgado pela supremacia de lobies do complexo industrial-militar do alto poder sionista, com o porta-voz Netanyahu, dispostos a acelerar a terceira guerra mundial e até atômica, com alto custo político-social para os EUA. Israel com o genocídio em Gaza, paga menos internamente que os EUA e a Europa capitalista cujas massas não somente se solidarizam em multidões pela Palestina e o Irã, como não suportam pagar o custo das guerras da OTAN, como no período nazi-fascista, na guerra contra o Vietnam e o Iraque. Israel está sob uma ditadura genocida e vive uma situação interna em que parte da população é contra o genocídio do povo palestino, mas parte do povo judeu, lamentavelmente, é a favor desta guerra contra a humanidade. No cálculo de Israel não importa que Trump caia nas próximas eleições Legislativas, basta que o sionismo continue em pé.

O mundo dos Elon Musky, fakenews e I.A., não logram ocultar os absurdos de uma guerra contra a Venezuela em nome do combate às drogas promovido por anfitriões dos cartéis de narco-traficantes (EUA); contra o Irã em nome do freio à produção de energia nuclear, quando os agressores, EUA e Israel, possuem dezenas de bombas nucleares. Como eludir do juízo da opinião pública que atos de sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa Cília Flores, e de bombardeio tempestivo do Irã assassinando o seu Líder supremo e religioso, Khamenei, e sua família, não apenas infringem Leis do Direito Internacional e da Soberania dos povos, mas são barbárie pura? A humanidade inteira está se despertando. Gaza não é só um cemitério, é um povo em luta eterna que se recusa a ser um Shopping.

Ataque de Israel-EUA contra escola de crianças Minab (Crédito: IRNA)

É evidente que estas invasões apressadas surgem no mesmo momento em que querem encobrir os escândalos do caso Epstein, que sinalizam o estado de degradação e colapso moral a que chegou a central do sistema capitalista nos EUA e no Ocidente.  A OTAN sob o domínio do governo norte-americano durante décadas utilizou-se do dólar para financiar as 800 bases militares no mundo e guerras sem fim. Uma direção de pedófilos, canibais e degenerados; neste sentido, é emblemático que o ataque ao Irã, foi exatamente a uma escola de meninas, assassinando 168 crianças, com a mesma idade das vítimas sacrificadas pelos bárbaros criminosos Epstein. É o mesmo desprezo às crianças e mulheres de Gaza.

Essa é a direção de uma sociedade em decadência, com consequências desastrosas para a população norte-americana empobrecida, vivendo sem teto nas ruas, perdendo direitos sociais para financiar a indústria bélica. Isso vai implodir, como já expressam intelectuais, parlamentares opositores, até ex-agentes da CIA, prefeitos como de Nova Iorque, e manifestantes nos EUA e na Europa na defesa do Irã, da Palestina e de Cuba. A massiva solidariedade por Cuba por parte de governos como de Claudia Sheinbaum (México), e movimentos sociais, enviando petróleo, painéis solares e remédios são a outra cara da moeda. Gaza, Irã e Cuba têm um povo provado à morte, decidido a resistir pelo bem comum, sem se dobrar pela carência material, mas orgulhosos de defender a dignidade humana e sua origem histórica.

A invasão contra o Irã está se revelando um boomerang para os EUA. A resistência do Irã tem sido não só militar, com ajuda prévia da Rússia e da China, incluindo tecnologia cibernética bélica, e a alta preparação política dos guardiões da revolução (Pasdaran), apesar do assassinato em 2020 de Qasem Soleimani. O que o imperialismo anglo-americano-sionista não previu é a reação multitudinária e combativa do povo iraniano frente ao martírio de Khamenei; as permanentes mobilizações sob pleno bombardeio, contra o assassinato das meninas na escola em Minab, a eliminação de várias direções, comandantes, cientistas, causado pelos bombardeios de Israel e EUA. Da mesma forma que na Venezuela, o ataque reverteu numa decisão de maior união e organização popular através das comunas, no Irã a resistência de massas é mais estrutural, político-religiosa e milenar como a luta palestina.

Mobilização do povo iraniano em apoio à resistência (Foto: KCH FM)

A força e consciência do povo iraniano, incluindo as mulheres, são históricas, desde Mossadegh, à derrota do Xá Reza Pahlavi, ao advento da revolução islâmica com o ayatolá Khomeini em 1979. Leia mais sobre a história da revolução no Irã até o ano 2010, passando pelo governo do presidente Ahmadinejad que reforçou o papel do Estado, combateu setores reformistas e conciliadores no Parlamento e na Justiça, aliando-se no campo internacional à Venezuela de Hugo Chávez, à Cuba de Fidel, ao Brasil de Lula, à China e Rússia. Na América Latina, o Irã, nessa época, estabeleceu uma estrutura de colaboração com todos os principais países; com a Venezuela na construção de casas, automóveis, tratores, bicicletas e medicamentos, e ambos os países criaram, por meio do Banco do Irã, um mecanismo de apoio financeiro recíproco fora do FMI. (**)

Muitas das dificuldades econômicas enfrentadas pelo Irã decorrem do bloqueio econômico durante décadas. Mesmo assim, o Irã conseguiu construir sua economia com um processo de substituição de importações, e construir uma economia relativamente autônoma. Nesta última etapa, reconstruindo sua economia com os gigantes acordos comerciais com China e a Rússia, e outros países do mundo. De qualquer forma, há um limite para suportar anos de bloqueio econômico e político, o que debilita a economia. Situação que permitiu que o Mossad e a CIA organizassem em janeiro mobilizações reivindicatórias minoritárias que são provocações políticas dos ditos “verdes” e anti-hijab. Situação descartada neste momento em que o povo iraniano está unido contra a agressão imperialista.

Há um dito popular que diz que a primeira vítima de uma guerra é a verdade. E é isto que a imprensa ocidental busca fazer: mentir e confundir sobre o que passa no Irã, assassinando jornalistas e ocultando o genocídio de Israel em Gaza. Porém há verdades inocultáveis como mostrar a dignidade do aiatolá supremo Khamenei e sua família, martirizando-se na sua cansa, não num bunker, na defesa do país e do seu povo

Leia as verdades sobre os direitos conquistados e o papel da mulher no Irã, no texto publicado em 2010 durante a gestão de Ahmadinejad. “Na universidade, as mulheres representam cerca de 65% do corpo discente, mas muitas delas não ingressam no mercado de trabalho após a graduação. Ultimamente, tem havido um aumento no número de mulheres que ingressam no mercado de trabalho, em áreas científicas e em instituições públicas; além da Ministra da Saúde Pública, muitas trabalham como ministras adjuntas, secretárias e em funções complexas, científicas e de risco. O governo dignificou o trabalho feminino em algumas categorias profissionais e classificou o trabalho de enfermeiras e tecelãs de tapetes como trabalho de risco, reduzindo a duração da semana de trabalho e a jornada de trabalho. Combate fortemente o trabalho infantil e a terceirização da mão de obra. Uma pensão para donas de casa está atualmente em discussão, reconhecendo seu trabalho no cuidado com os maridos e na criação dos filhos. O governo queria impor o registro oficial de união estável quando uma mulher engravida, para que o recém-nascido tivesse um pai, mas o parlamento rejeitou a proposta. Parece que o parlamento jurou não deixar o governo se safar de nada!”

A Rússia com a operação especial militar contra a Ucrânia tem colocado um limite no expansionismo da OTAN e prepara-se para vencer em definitivo a guerra.  Ao que tudo indica, o Irã também vencerá esta guerra, mesmo pagando um custo muito alto. O heróico apoio do povo iraniano em apoio às decisões do governo (o bloqueio do estreito de Ormuz impedindo o acesso da Europa ao petróleo, os ataques com mísseis às base de duas potências nucleares como Israel e EUA) incide nas massas europeias que pedem o fim do conflito, obrigando seus governos a declararem que não participarão desta guerra insana, nem direta, e nem indiretamente, contra o Irã.  Assim declararam o primeiro Ministro Sanchez da Espanha e Meloni da Itália. França, Reino Unido e Alemanha condenaram a guerra, mas adotando uma postura de cautela e pedindo mais diplomacia, mesmo sob pressão dos EUA.

A humanidade está de olho no desdobramento desta invasão e da resistência do povo iraniano, do Ayatolá, e da Guarda Revolucionária. Pela dimensão que tomou o conflito e o seu caráter político, a luta do Irã simboliza a luta de todos os povos oprimidos do Oriente Médio e contra o projeto nefasto da “Grande Israel”. Nos últimos tempos, as evidências de que “o império anglo-americano-sionista é o gendarme do mundo” neutralizaram a “russofobia” na Europa. O fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã, e do gasoduto russo, geram uma crise econômica, energética e social fatal para a burguesia europeia.

Mojtaba Khamenei (Foto: PIC)

O novo ayatolá, Seyed Mojtaba Khamenei, filho do mártir Khamenei, perdeu boa parte da sua família e não é seguro que esteja vivo ou ferido ao não aparecer ainda em público. Divulgou-se oficialmente uma mensagem escrita com suas propostas como novo dirigente supremo. (*)

“O importante é a figura e o que ele escreve, ou escrevem, que é mais contundente, mais oportuno, mais decisivo e preciso do que o de seu pai Ali. Ele apresenta um programa para o presente e para os próximos passos, numa perspectiva geral concreta. Ele estabelece imediatamente o papel das massas populares como os verdadeiros protagonistas. Aqueles que mantiveram o país sob ataque na ausência de um líder. Aqueles que foram destemidos e atacaram inimigos externos e seus amigos internos. “Morte aos conciliadores!” (Marg bar sazeshkar) “Sem trégua até o fim!” Limpem o Golfo Pérsico dos lacaios imperialistas. Apaguem a vergonha da história, o quartel-general da Quinta Frota de uma ilha que até 50 anos atrás era território iraniano, o Bahrein, e que foi dada de presente pelo Xá a um xeique. Talvez até mesmo aquela faixa de terra no norte, entre a Turquia e Nakhjavan, que o pai do Xá deu a Kemal Pasha.” (Sand Bav).

Leiam algumas notícias e reflexões do nosso correspondente Sand Bav publicadas na seção de “Batalha de Ideias”:

Agora, o equilíbrio está se deslocando decisivamente para a essência da revolução islâmica do povo iraniano e do mundo muçulmano, sejam xiitas ou sunitas. Os xeiques estão em declínio e as relações com falsos aliados estão se deteriorando. Sim, Mojtaba é o sucessor do pai Ali, mas não é, como ele, um centrista.”

“Khamenei tentou controlar todas as tendências, todos os clérigos e os vários magnatas do açúcar, do aço e dos smartphones, mas, frente à pressão da oposição, acabou cedendo aos corsários que minavam os fundamentos da Constituição expandindo as zonas francas. Mojtaba, mudará tudo no poder islâmico iraniano; não apenas por vingança pelo assassinato de seu pai, mãe, irmã, esposa, filha e outros, mas também por seu histórico de ligações com os Pasdaran, as milícias, a ala saudável da resistência e do poder, com os clérigos (como Alamolhoda, um fervoroso veterano anti-Rafsangiani) que o elegeram por ampla maioria, e sobretudo com a população furiosa contra traidores e conciliadores pró-Ocidente.”

“Essa limpeza não pode ser planejada, mas sim está na ordem do dia. É a lógica das coisas decidir entre a decadência e a regeneração do Estado. O chauvinismo do aparato leva à rendição porque não tem base social, não tem razão para existir em um Estado nascido da revolução. O usurpador é severo com o usurpado e brando com seu homólogo estrangeiro. Com Mojtaba e aqueles que o elegeram, o Estado demonstra ser reformável, ao contrário do que diziam aqueles que o consideravam irreformável.”

“Será uma guerra civil, ou uma operação policial instigada pelo inimigo imperialista do petróleo e, sobretudo, pelo inimigo histórico desde os tempos de Ciro, o Grande. Devemos resgatar Ciro, o Grande, que libertou o povo judeu do jugo babilônico. Amanhã, sexta-feira, no Dia Internacional de Quds, veremos o equilíbrio de poder dentro do Irã em revolução, e o equilíbrio de poder global enquanto disputam entre si com os europeus, e a crise que irromperá dentro do campo imperialista, com Israel e dentro dos próprios Estados Unidos. Uma blitzkrieg não funciona quando as forças latentes do povo e dos revolucionários aguardam uma oportunidade.”

“Assim, o inimigo externo abriu caminho para que as massas se levantem, para a guerra e a revolução, para a revolução e a guerra civil, e em tudo isso, transformações sociais e medidas socialistas se desenrolam. Uma vez derrotado o inimigo, as coisas nunca mais serão como antes. Nem no Irã, nem em Gaza, nem no Líbano, nem no Iêmen. Tudo acontecerá em avalanches.” (Sand Bav)

Enfim, a guerra contra o Irã, coloca a emergência de superar também desafios para vencer o inimigo imperialista-sionista, e ao mesmo tempo  realizar a tarefa histórica de evitar retrocessos ou implosões e, inversamente, permitir uma transição consciente e organizada para um nível superior, tendo em mente que esses avanços também aceleram os preparativos para uma guerra atômica por parte do imperialismo mundial e, portanto, ações de ataques preventivos por parte da Rússia e China . Como vários analistas críticos ao regime nos EUA dizem, a Terceira Guerra mundial já iniciou, concretamente no campo econômico; e no militar, o risco de um ataque atômico fora de controle, sobretudo de Israel, já promotor da barbárie em Gaza, pode ocorrer à medida que Irã avance militar e socialmente e logre maior consenso regional no mundo árabe e apoio da China e Rússia.

É preciso a unificação dos povos do Oriente Médio, uma Federação de Estados populares, revolucionários e socialistas, num plano comum de soberania, sem bases norte-americanas e israelenses, nem da Otan, com a participação e o controle democrático das massas. Isso inclui convocar as massas israelenses a se libertarem da ditadura fascista do governo de Netanyahu, de sua dependência dos Estados Unidos e do capitalismo global. Basta à guerra genocida contra o Irã e a Palestina já!

Comitê de Redação
PosadistasHoje
16/03/2026

(*) Resumo da mensagem do Líder do Irã, Seyyed Mojtaba Khamenei:
• Seyyed Mojtaba Khamenei afirmou que soube do resultado de sua nomeação como Líder pela televisão estatal, assim como todos os outros.
• Ele declarou que ocupar o lugar de seu pai e Aiatolá Khomeini é uma “tarefa muito difícil”, enfatizando que o legado de 60 anos de seu pai e sua “montanha de firmeza” são difíceis de igualar.
• Confirma que o Irã está engajado em uma luta ativa e “opressiva” contra a “Frente da Arrogância” (os Estados Unidos e seus aliados).
• Defende a continuidade do uso do fechamento do Estreito de Ormuz como principal instrumento de pressão e sugere a abertura de novas frentes não convencionais onde o inimigo seja vulnerável.
• Elogia o Iêmen, o Hezbollah e grupos iraquianos pelo apoio.
• Ele afirmou ter perdido sua esposa, irmã, sobrinho/sobrinha e cunhado nos recentes ataques, além de seu pai.
• Ele jurou que buscará vingança por cada cidadão morto, não apenas por seu pai. Ele destacou especificamente um “crime deliberado” cometido pelo inimigo na Escola Shajareh Tayyibah em Minab (que matou 175 meninas).
• O Irã exigirá indenização dos bens do inimigo (ou os destruirá até que se tornem de valor equivalente) caso o inimigo se recuse a pagar pelos danos.
• Ele emitiu um alerta a 15 países vizinhos: fechem imediatamente todas as bases militares estrangeiras usadas para atacar o Irã.
• O Irã já atacou bases americanas e continuará a fazê-lo se elas permanecerem ativas, ao mesmo tempo em que enfatizou a necessidade de “relações cordiais” com seus vizinhos.
• Ele ordenou atendimento médico gratuito para os feridos e indenização estatal por danos à propriedade privada, solicitando que as autoridades lhe reportassem diretamente sobre o andamento dos trabalhos.

(**)Ler o livro de J. Posadas publicado: Irã e o processo permanente da revolução

Foto destaque: Mobilização das massas iranianas (Foto El País: Ahmad Al-Rubaye/AFP)

 

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