As perspectivas da Revolução Socialista Mundial
Quando será o enfrentamento atômico entre os EUA e a China/Rússia, é difícil dizer. Mas todos os elementos da conjuntura apontam para este enfrentamento.
Até que ponto a humanidade vai conviver e suportar a destruição de países como o Iraque, a Líbia, a Síria e agora o Irã (numa categoria diferente). Até que ponto suportaremos as ações do imperialismo anglo-americano-sionista em decorrência da sua decadência enquanto sistema capitalista. Até quando suportaremos o genocídio do povo palestino, numa demonstração clara do caráter fascista e nazista do estado de Israel e dos EUA. Até quando veremos os EUA matar crianças como fizeram numa escola do Irã.
Como a humanidade vai se organizar após este desfecho final? Prever as perspectivas históricas talvez seja uma das atividades humanas mais difíceis, e poucos foram os momentos em que o desenrolar da história permitiram tais capacidades, como na Revolução Russa. Nem mesmo a Revolução Chinesa foi um processo consciente como foi a Revolução Russa.
O que ocorreu, foram movimentos de massas revolucionárias que tiveram a capacidade de levantarem as bandeiras da justiça social, contra a opressão e um programa e estratégia que levaram a revolução contra o poder dominante, como foi a Revolução Cubana, a Revolução Nicaraguense, e mesmo a Revolução Iraniana, para citar algumas mudanças revolucionárias.
Partindo da premissa que o confronto atômico ocorrerá, o que podemos prever no pós-guerra? A humanidade vai voltar a idade da pedra? O capitalismo vai se reestruturar sob os escombros do socialismo? O socialismo vai triunfar sob os escombros do capitalismo?
O que se coloca como ponto central do debate é que a crise do capitalismo se aprofunda em decorrência do esgotamento do seu modo de produção e do surgimento de um regime socialista que se apresenta como sistema de produção e relações de produção superior ao capitalismo, bem como movimento revolucionários anticolonialistas e anti-imperialistas, não necessariamente socialistas.
Seguindo este raciocínio até certo ponto simplista, podemos dizer que a tarefa que se coloca, particularmente para a China e a Rússia, é a organização do que Trotsky defendeu como a Revolução Permanente. O que isto significa para a atual conjuntura?
Até chegar ao ponto de desenvolvimento e da organização social da China atual, ela passou por longos períodos de experimentação de organização das relações de produção e organização social, com idas e vindas, com avanços e retrocessos, mas fazendo um debate e, por que não, fazendo um enfrentamento entre as várias correntes de pensamento dentro do Partido Comunista Chinês. E não era de se esperar coisa diferente, pois o processo de construção do socialismo é um processo complexo e ainda em construção, em que apesar de todo o legado deixado por Marx/Engels. É uma luta de classes permanente.
A unificação China e Rússia é suficiente para suportar um enfrentamento sistema contra sistema, ou mesmo, as direções de ambos os países se preparam para serem a vanguarda da construção do socialismo pós-guerra atômica? Uma coisa eles têm consciência: a guerra virá, ou vamos dizer, já está acontecendo, ainda não é forma de bombardeio atômico, mas basta um fato fora do controle pode levar que ela aconteça.
A guerra do imperialismo anglo americano sionista contra o Irã está colocando à prova a capacidade de reação da Rússia e da China. Ambos os países estão apoiando o Irã, mesmo que isto não seja explicitado. Ambos os países não foram capazes de conter a destruição da Líbia, do Iraque e da Síria. A Rússia ainda peleja com ação militar especial na Ucrânia.
A direita internacional ganha campo eleitoral com a intervenções nos países da América Latina e coloca a Europa para entrar na guerra contra a Rússia. Os EUA com seu bloqueio econômico a vários países, busca minar a economia Russa e Chinesa. Se até o momento não podem fazer um enfrentamento bélico decisivo, estão buscando cercar a China e a Rússia pelo lado econômico, inviabilizando relações comerciais e até mesmo forçando o rompimento comercial e de contratos nestes países com a China. E realizando intervenção direta como foi o sequestro do Presidente da Venezuela Maduro e rompendo acordos comerciais da China com o Governo da Venezuela.
Indubitavelmente, a unificação China e Rússia mudou a correlação de forças mundial, como as relações comerciais da China com mais de 130 países no mundo. Aprofundando a crise dos EUA como o maior representante do capitalismo, Relações comerciais que acabam se derivando para relações políticas. Aos chineses não interessa uma guerra em proporções mundiais, pois isto interrompe o grande desenvolvimento da China. E o socialismo não se interessa pela guerra enquanto sistema social, econômico e político, mesmo que tenha de fazer a guerra contra o capitalismo. A guerra interessa exclusivamente ao capitalismo.

Mais tarde ou mais cedo, a China e a Rússia terão que se deparar com tarefa histórica de organizar a humanidade para uma guerra mundial e organizar a construção do socialismo, pois o socialismo não se constrói em apenas alguns países; a substituição do capitalismo terá de ser mundial. Já vivemos, de certa forma, o princípio da Revolução Permanente defendida por Trotsky e por Lenin e Engels ao se dedicarem a construção das Internacionais Comunistas.
A Rússia, em decorrência da segunda guerra mundial, tratou de expandir a revolução mundial no mundo, em particular na Europa e depois com a dissolução da URSS, houve um retrocesso. Retrocesso não significa que a ação não seja uma necessidade da humanidade. Continua sendo uma necessidade a revolução socialista nos países da Europa, na Ásia, da África e na América Latina.
Neste exato momento, a tarefa urgente é apoiar Cuba, vencer a guerra na Ucrânia e derrotar o imperialismo anglo americano sionista no Irã.
Qual o centro da guerra econômica: energia e inteligência artificial. Invadiram a Venezuela, sequestraram o Presidente e sua esposa em busca do controle do petróleo; pressão sob os países exportadores de petróleo para que invistam seus dinheiros e dólares nos EUA, utilizando o dólar que está sendo substituído por outras moedas nas transações comerciais, que vai a longo prazo destruir uma das mais poderosas armas dos EUA, o dólar; buscar novas fontes de financiamento do estratosférico déficit americano que já não tem a indústria como pilar da economia, substituído pelo sistema financeiro; vender armas para todo mundo através da guerras eternas; fazer pirataria com o sequestro de bens financeiros como fizeram com os bens do Irã, da Rússia, da Venezuela e agora de navios de petróleo; controlar as rotas marítimas e de escoamento das mercadorias; vender produtos norte-americanos; controle das informações através da Palantir, do Google, da Meta, da Amazon etc.; promover golpes contra candidatos nas eleições como vem acontecendo na América Latina.
Por parte das massas no mundo, há uma resposta contra a opressão, racismo, desigualdade, como a resistência do povo palestino; os milhões de iranianos que foram às ruas no funeral de sua direção assassinada pelos EUA e Israel; os milhares de norte-americanos contra o racismo da polícia que assassina de negros, imigrantes e norte-americanos.
As massas se apoiam nas experiências de construção do socialismo para se movimentarem. J. Posadas desenvolveu várias análises demonstrando a confiança das massas que se pautam pelas experiências da história com o intuito de ir à luta pela construção do socialismo. A China depois de viver um século de humilhação, saindo de um patamar econômico baixíssimo, depois da revolução de 1949, foi capaz de construir uma sociedade superior e demonstrar que é através do socialismo que a humanidade se desenvolve em benefício das suas populações.
A grande tarefa das direções da Rússia e China é organizar as massas, os partidos comunistas e socialistas que ainda preservam um programa socialista, os partidos progressistas, os sindicatos, os movimentos sociais para o enfrentamento com o capitalismo, partindo da premissa de que a humanidade está apta para o socialismo, como foi analisado por diversas vezes por J. Posadas. Elevar politicamente a humanidade para a necessidade do socialismo, para que este processo se faça de forma consciente e organizada. A humanidade não pode passar pela guerra atômica sem saber que rumo tomar e como se organizar para construir o socialismo após a guerra.
Correspondência
Giordano Ribeiro
Brasil, 25.07.2026