Lançamento da campanha de Lula na Vila Euclides
Um momento histórico cuja comoção e alegria contagiaram mais de 40 mil manifestantes de diversas correntes políticas e movimentos sociais, no célebre Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides em São Bernardo do Campo, berço que deu origem e consolidou importantes lideranças operárias sob a direção de um torneiro mecânico, metalúrgico, ele, Luiz Inácio da Silva, o Lula que liderou greves massivas dos trabalhadores, conquistou corações e mentes e construiu um movimento sindical com um peso histórico, gigante e audacioso, que desafiava a ditadura militar. E foi nesse ambiente, resgatado por imagens num amplo telão, onde aconteceu o ato de lançamento da campanha eleitoral de Lula, acontecimento relevante, a altura do que representou a classe operária e o movimento sindical no auge das grandes mobilizações e greves, entre 1978 e 1980 nos plenos anos de chumbo. Um ato onde a história e a grandeza de Lula foi enaltecida porque foi quem melhor representou e esteve à frente da resistência dos trabalhadores contra a ditadura militar, a exploração capitalista industrial e acima de tudo a exclusão dos trabalhadores na vida política do país.
Lula entra no palanque ouvindo depoimentos das principais lideranças, como Djalma Bom, Jair Meneguelli, João Paulo, Vicentinho, Betão e outros companheiros metalúrgicos que junto com Lula fizeram parte desta histórica jornada de resistência operária. A juventude também fez sua homenagem a Lula com uma coreografia ao som do jingle de campanha em ritmo de rap, musica cantada por apoiadores em atos públicos e eventos políticos. Foi um reencontro de Lula com suas raízes, não para ficar no passado mas para seguir adiante com seu projeto iniciado nos anos 70 e 80, período em que construiu o Partido dos Trabalhadores que permitiu à classe operária ter uma representação política nas decisões do país. Foi eleito três vezes presidente da República e agora a batalha pelo quarto mandato buscando concluir o objetivo de construir uma sociedade com igualdade social, democrática, justa e soberana.
O ato ocorreu num momento importante da conjuntura política brasileira, a militância mostrou força para alavancar e impulsionar a campanha de Lula; faixas, cartazes e bandeiras deram a mensagem e colorido ao evento. No dia seguinte as redes sociais bombaram com notícias do ato e abarrotaram seus perfis com as estrelas do PT. Uma iniciativa importante lançada pelo PT, de comunicação e mobilização, O Porta-Vozes de Lula no Brasil, é uma estratégia digital com o objetivo de conectar a militância digital dos partidos progressistas nas redes e nas ruas e administrar a defesa das realizações do governo federal no combate à desinformação, fakenews e preencher os espaços das redes sociais com propostas de conteúdo, elevar o debate político, defender a democracia e a soberania. O presidente do PT, Edinho Silva, avalia as próximas eleições como a “mais importante de nossas vidas“ e faz um chamado à militância a defender com garra as propostas do governo apontando o perigo do avanço da extrema direita no mundo e na América Latina. Lula, destacou no discurso: “essa eleição é sobre o futuro da vida do trabalhador”. Os trabalhadores foram os que mais perderam com as políticas adotadas pelos governos Temer/Bolsonaro que transformaram o país em terra arrasada; portanto é urgente retomar os planos dos governos do PT anteriores e Lula não tem medido esforços para fazer justiça e devolver as conquistas arrancadas pelo neoliberalismo. A lógica de acumulação do sistema financeiro e da burguesia industrial não pode ser sustentada à custa da marginalização e da precarização dos trabalhadores.
Lula mostra, nessa campanha eleitoral, uma disposição gigante de convencer a sociedade e um amplo setor do eleitorado não lulista, independente, sobre a importância de um quarto mandato que permite o governo seguir e avançar no projeto de desenvolvimento do país, e novos planos estão na pauta da campanha como, investimento em segurança pública criando o programa, Brasil Contra o Crime Organizado, visando desarticular as redes criminosas e a PEC da Segurança Pública, proposta que cria o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) fortalecendo a atuação integrada dos órgãos de segurança pública e especialmente a Polícia Federal no combate às milícias e organizações criminosas que ultrapassam as fronteiras estaduais e nacional. Uma resposta às tentativas de interferência dos EUA que oficializou que o PCC e CV são organizações terroristas estrangeiras, contrariando a Constituição brasileira que considera essas organizações como criminosas. Essa é uma evidente intromissão nos assuntos internos do governo brasileiro.
O governo tirano de Trump vem ampliando sua ofensiva contra a América Latina, ameaçando e obrigando os países da região a adotar uma política de alinhamento como fez com a Argentina de Milei, com a Venezuela e com Cuba impondo sansões criminosas contra a população cubana e interferências em processos eleitorais recentes como na Colômbia e Peru. Sob a liderança de Marco Rubio, Secretário de Estado, ganha força nos EUA uma política externa que resgata elementos da Doutrina Monroe, reafirmando a pretensão de ampliar sua influência sobre o continente americano e, também, uma estratégia para conter a expansão econômica e geopolítica da China e dos BRICs. O Sul Global já é uma realidade e avança no mesmo rítmo em que acelera o esgotamento do capitalismo nos EUA e no Ocidente.
Ganha força no Brasil e no próprio governo a necessidade de uma política mais ousada em defesa da soberania brasileira. O governo brasileiro por meio do Itamaraty, entrou em alerta desde a intervenção na Venezuela que sequestrou o presidente do país, Nicolás Maduro, impactando na soberania nacional e regional. Um país dono das maiores reservas de petróleo do mundo, terras raras, minerais estratégicos para a inovação tecnológica e uma exuberante biodiversidade, mas pecou ao não investir na sua segurança e defesa nacional. O Brasil tem registrado várias ameaças de intervenção, seja por meio de sansões, de tentativas de investigação no processo eleitoral brasileiro e conta com a colaboração da família Bolsonaro que faz essa ponte contra o País. Brasil possui revervas naturais estratégicas importantíssimas cobiçadas pelo imperialismo americano. Lula tem levantado a voz da resistência e defesa da soberania em todo o território nacional e tem sido destaque nos seus discursos. Porém é importante ampliar a política de segurança cibernética, fronteiras e contra as ameaças militares externas. A visita de Lula em Aramar para acompanhar a montagem do reator do futuro submarino nuclear se conecta com a necessidade fundamental de defesa nacional. Rússia recentemente enviou um assessor militar especial que esteve diretamente com Lula, fora da agenda oficial, e trataram dos temas, defesa, energia nuclear e cooperação naval.
Outra arma importante nesse processo eleitoral é a mobilização e o debate direto com a sociedade. Pra isso é preciso contar com a disposição da militância nas ruas, o embate nas redes sociais e uma comunicação que atinge diretamente a consciência das massas de que o quarto mandato de Lula vem pra elevar o Brasil a uma potência econômica, social e soberana!
M.R. Costa, socióloga.
20/08/2026
