A revolução bolivariana e a soberania da Venezuela não se tocam!


TODO APÔIO E SOLIDARIEDADE À REVOLUÇÃO BOLIVARIANA DA VENEZUELA

No 14º. Encontro Nacional do MST na Bahia, em 23 de janeiro, após o ataque imperialista dos EUA à Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e a companheira e deputada, Cília Flores, o bombardeio do Forte Tiuna e outros centros militares e casas, levando à morte de 32 cubanos e mais de 100 venezuelanos entre militares e civis, Lula teve que corrigir-se do erro do governo brasileiro em haver vetado o resultado das eleições de 2024, e não apoiado a entrada da Venezuela no BRICS em outubro de 2024 por ocasião da Cúpula de Kazan na Russia. O presidente Putin, naquele momento, já discordou do veto brasileiro e disse: “Cremos que o Presidente Maduro venceu as eleições e desejamos êxito a seu governo e ao povo da Venezuela.”

O jornal Brasil de Fato do MST deu detalhes do recente discurso de Lula:

Lula no 14o. Encontro do MST (foto: Ricardo Stuckert)

“Eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, vão no forte, que é um quartel onde morava o Maduro, e leva o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora. Ou seja, como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul”.

A gente não tem armas nucleares, a gente não tem bomba atômica, a gente só tem gente pobre que quer trabalhar e quer viver, que quer comer, quer almoçar, quer jantar, quer estudar. A gente não quer guerra. Então, o que nós temos para mostrar para eles é o nosso caráter e a nossa dignidade”.

“A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai baixar a cabeça para ninguém, quem quer que seja”, em referência ao avanço da extrema direita em diversos países da América Latina.

“Vocês estão acompanhando o que está acontecendo na América Latina? Vocês estão acompanhando o que aconteceu no Chile, o que aconteceu na Argentina, o que aconteceu com a Venezuela, o que aconteceu com o Paraguai, o que aconteceu com o Equador, vocês estão acompanhando o que aconteceu com a Costa Rica, em Honduras e o que está acontecendo no mundo com a eleição do presidente Trump para presidente dos Estados Unidos. Vocês estão acompanhando e vocês estão percebendo que nós estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial”.

“Não queremos mais Guerra Fria. Nós não queremos mais Gaza. Vocês viram a fotografia do que eles vão tentar fazer em Gaza? Um resort. Ou seja, derrubaram, mataram mais de 70 mil pessoas para dizer: ‘Nós vamos agora recuperar Gaza e fazer hotel de luxo’. E o povo que morreu e as pessoas pobres que estão lá, vão morar onde?”.

Lula questionou a intenção de Donald Trump de “criar uma nova ONU” para que ele seja o dono do organismo. Criticou os planos dos EUA e do regime israelense na Faixa de Gaza destruída por ação de Israel. Alertou que “O multilateralismo está sendo substituído pelo unilateralismo e a lei do mais forte está prevalecendo”.

Reações mundiais frente ao ataque à Venezuela

Importante que os Movimentos populares lançam o ‘Boletim Venezuela em Foco’ para combater a desinformação após os ataques dos EUA. Desinformação, é uma arma de guerra, que contribui a minimizar a violência imperial, a alegar uma suposta “traição” interna no bolivarianismo e desmobilizar o ânimo popular sobre as perspectivas de um governo revolucionário. Expertos com maior conhecimento local, tem analisado com a dialética que um golpe exige: na Venezuela perdeu-se uma batalha, mas não a guerra; incluindo o despreparo frente ao ataque cibernético norte-americano detentor dos radares, infiltrações, mas não uma traição da direção central que consolidasse perda total do governo bolivariano.

Argentina
Bélgica

 

 

 

 

 

 

 

As manifestações em apoio à Venezuela e à libertação do presidente têm ocorrido no Brasil (Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília), na Europa (Itália, Inglaterra, Bélgica, Espanha, França), vários países da América Latina e nos EUA. Elas demonstram que há uma vanguarda mundial que atua sem dar voltas, para impedir que o ataque imperialista avance até a destruição total. Nenhuma nova Gaza, nem na Venezuela, nem em Cuba.

Todos os informes do “Boletim Venezuela em Foco”, Telesul, jornal Brasil de Fato, mostram as grandes mobilizações populares na Venezuela, de camponeses, professores, das comunas, do exército e das milícias populares mobilizadas. Unem-se a palavra de ordem pelo retorno de Maduro e Cília Flores, com o apoio à presidenta encarregada, Delci Rodrigues, para avançar nas medidas econômicas da revolução bolivariana, de recuperação frente à destruição de guerra, na melhoria da produção com maior poder às comunas.

Há que controlar detalhes da dita lei de anistia (sem que haja rendição frente aos líderes mafiosos e contrarrevolucionários) como tática de “um passo atrás e dois adiante”, ou do acordo do Partido Bolchevique em Bret-Litovsky (1918). Tudo indica que são negociações para ganhar tempo e recuperar setores da classe média adversas ao bolivarianismo, mas opostas à agressão norte americana. Ou seja, unificar o povo em nome da defesa da soberania nacional, sem abdicar da bandeira da revolução bolivariana. Corina Machado, representa entrega total, mas nem Trump confia na sua capacidade de contenção do bolivarianismo já instalado.

Maduro, recebeu de volta e salvou várias famílias e crianças venezuelanas emigradas aos EUA e recentemente expulsas brutalmente por Trump. Diante de golpes reacionários como no Chile, Allende se sacrificou. Fidel desaconselhou o auto-sacrifício de Hugo Chávez golpeado por Pedro Carmona (2002); ganhou tempo e retornou em 2 dias ao Palácio Miraflores por ação do povo das colinas e do exército bolivariano. O “Por ahora” (Por enquanto) conclamado por Chávez, parece orientar a direção atual, sem abdicar do retorno de Maduro, nem das relações com a China, Russia e Cuba como pretende os EUA.

A presidenta encarregada, Delci Rodrigues (PSUV), tem dito: “Eu os convido, como venezuelanos e venezuelanas, a preservar a paz da Venezuela e a tranquilidade da nossa pátria, com absoluta responsabilidade histórica. Não há outro caminho”. Aclarou que não se trata de uma ameaça individual sobre sua pessoa: “Não é que a presidenta interina tenha medo, porque está ameaçada. Não, não: a Venezuela está ameaçada, toda a Venezuela está ameaçada”. Afirmou: “Se algum dia eu tiver, como presidenta interina, que ir a Washington, o farei de pé, caminhando, não arrastada”.

A ruptura contra esse cerco é também internacional:

Declaração da Russia: “Nossa posição permanece inalterada. Essa posição é fundamental, baseada nos princípios do respeito à soberania e à integridade territorial de todos os Estados, cujos governos naturalmente representam os interesses de toda a população”, disse Lavrov.

Ajuda do Brasil: O maior centro de distribuição de medicamentos da Venezuela foi bombardeado. O Brasil enviou uma doação de 40 toneladas de material de insumos médicos para o Programa Nacional de Hemodiálise e Nefrologia do Sistema Público Nacional de Saúde venezuelano. Isso ocorreu 48 horas após o governo brasileiro anunciar um envio de 100 toneladas de medicamentos e insumos vários, graças a hospitais universitários e filantrópicos baseados no SUS. Um gesto de reconhecimento ao governo de Maduro que, durante a pandemia do Covid-19, frente ao negacionismo de Bolsonaro, enviou 130 mil m3 de oxigênio aos brasileiros por falta de respiradores no norte do Brasil.

Acordos com a China: além do objetivo da guerra trumpista ser o controle do petróleo venezuelano, a meta é que se rompa relações com a China, e apropriar-se dos recursos naturais, mas também de destruir um dos exemplos mais persistentes de Estado revolucionário nas últimas 2 décadas com união cívico-militar e partido de massas na América Latina. E assim, os EUA agora avançam contra o Estado operário de Cuba. O governo cubano declara oposição e resistência. A China tem sido comprado 60 a 80% do petróleo venezuelano. Os EUA se apropriam dessa compra, com 30 a 50 milhões de barris de petróleo cru; diz que deixaria a sobra para a China. A deficiência da Venezuela no refino não é de agora (mesmo empresas norte-americanas tem dúvidas a assumir, devido ao alto custo), assim como acordos pré-existentes com a Chevron não são novidade.

Diante do novo estágio de desenvolvimento tecnológico do mundo, junta-se a guerra cibernética e a das redes sociais entre a verdade e a mentira. O poderio militar da Rússia e China é real. A sua ação decisiva ou guerra preventiva indica depender de uma resistência e direção local no país vitimado pelo ataque imperialista; mas sobretudo de uma relação internacional de forças políticas e militares no campo do mundo multipolar, desde o BRICS à Alca. A inexistência de uma coordenação, debate, reuniões e organização a nível do proposto por Hugo Chávez, uma V Internacional que congregue governos populares de esquerda, dirigentes políticos revolucionários (incluindo Ibrahim Traoré de Burkina Faso) e líderes de movimentos sociais, da frente antifascista, com um programa e uma perspectiva socialista.

Na década passada, diante de ações imperialistas da “Operação Condor” no Cone Sul, chegou a haver chamados de membros de governos populares (incluindo o do Brasil) por formar uma Otan do Sul, órgão militar que integrasse países progressistas da América Latina contra a Otan do Norte. Isso não se deu, sobretudo com o retrocesso na composição da Celac integradora da década chavista. Hoje, com exceção do México, Colômbia, Venezuela, Brasil, Cuba, Nicarágua e Uruguai, a direita reocupou o continente. Apesar da China e Rússia já terem seus acordos e penetrações militares em vários desses países, respeitam sua soberania e dependem das decisões de direções locais. Com exceção no caso da Ucrânia, a Rússia interviu militarmente, mesmo sem apoio político internacional (sequer da esquerda europeia), defendendo suas fronteiras e o povo ucraniano-russo vítima do fascismo de Zelenski.

É imprescindível continuar com as mobilizações para exigir a devolução do presidente sequestrado, Nicolás Maduro, em nome das normas jurídicas do Direito Internacional e da soberania da Venezuela e da América Latina.  O gravíssimo atentado põe em risco a soberania do Brasil já ameaçada com o golpe de 8 de janeiro de 2023.  Atenção a todas a provocações e manobras possíveis neste processo eleitoral de 2026. O gigante Brasil sempre esteve no olho do saqueio.

Nenhuma anistia a Bolsonaro e gospistas! Que as fakenews e a inteligência artificial manipulada pela Cia e o imperialismo não superem a comunicação popular pela verdade. Atenção a não perder a batalha cultural e comunicacional! Assim chegou um Milei fascista na Argentina, sem ataque militar, mas com manobras das redes cibernéticas. A imposição da Reforma Trabalhista de extermínio de direitos e de vidas é resultado da perda total da soberania nacional. O peronismo e parte da esquerda silenciou nos últimos anos o exemplo da Venezuela; pouco aprendeu das medidas da revolução bolivariana. É tempo de rever enquanto se solidariza; dar e receber. A união e a integração dos povos, com os pilares econômicos do BRICS dão o caminho para reverter os golpes do imperialismo.

PosadistasHoje
18/02/2026

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