Olavo Hanssen era o primogênito de oito filhos. Ele e sua família sempre viveram na periferia da cidade de São Paulo. Nasceu na Penha, passou por Guarulhos, São Bernardo e, finalmente, em Mauá, onde se estabeleceram em uma casa na Rua Seis, hoje chamada de Rua Vitorio Chiarotti.
Desde muito cedo, Hanssen trabalhou para complementar a renda familiar, com 14 anos já trabalhava na Tecelagem de Seda Sul Americana, em São Bernardo. Para custear seus estudos, ainda trabalhou como office-boy em várias empresas, em bancas de jornal e montou a primeira escola de datilografia de Mauá.
Em 1960, ingressou na Escola Politécnica da USP, onde frequentou até o 2º ano do curso de Engenharia de Minas. (…)
Foi trabalhar na Massari S.A.- Indústria de Viaturas, situada no quilometro 1,5 da Via Dutra, na Vila Maria, em São Paulo. Utilizando o codinome de Alfredo, e também apelidado de Totó, inscreveu-se no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de São Paulo e deu início à sua militância no movimento operário, com matrícula 121689.
O Sindicato dos Metalúrgicos estava sob intervenção do governo e Hanssen tornou-se membro ativo da oposição sindical, defendendo propostas como a defesa do direito de greve, a oposição aos interventores nos sindicatos, a organização das comissões de fábrica. Em novembro de 1964, a categoria logrou fazer uma greve de 3 dias em São Paulo contra o arrocho salarial.
CIRCUNSTÂNCIAS DA MORTE OU DO DESAPARECIMENTO FORÇADO
Hanssen foi preso ao menos 5 vezes, todas panfletando ou vendendo jornais: em 1963, distribuindo panfletos em defesa de Cuba para o operários, na avenida Arno junto com dois companheiros (Fábio Antonio Munhoz e Lídia Drasmikovicius); em novembro de 1964 com o “Frente Operária”, o jornal do PORT, nesta ocasião sua casa foi revirada e foram levados até cadernos de escola e poemas, no Dops foi torturado e ficou 5 meses preso; depois, fazendo panfletagem perto da Forjaço, em Osasco, e novamente pela Polícia Federal, saindo de uma assembléia metalúrgica em maio de 1968. Em seu prontuário, encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP, lê-se:
– preso em 7 de março de 1963 por distribuir panfletos sobre Cuba; – em 1º de novembro de 1964 participou de assembléia do Sindicato dos Metalúrgicos, ocasião em que formulou apelo para se lutar pelas liberdades democráticas e sindicais; – preso no dia 7 de novembro de 1964 por suas atividades nas recentes assembléias do Sindicato dos Metalúrgicos; – solto através de um habeas corpus em 30 de março de 1965; – […] consta em uma relação fornecida pelo II Exército de indivíduos que deverão ficar em observação especial durante os dias 26 a 29 de janeiro de 1968, sendo considerado perigoso; – em 14 de outubro de 1969 teve sua prisão preventiva decretada; – preso e colocado à disposição da Delegacia de Ordem Social em 2 de maio de 1970 [sic] por estar distribuindo panfletos subversivos na praça de esportes do Sindicato dos Têxteis, no dia anterior.
Não haveria, no entanto, registro no DEOPS/SP de todas as prisões de Hanssen; sua irmã, em depoimento dado para Murilo Leal, autor da biografia Olavo Hanssen: uma vida em desafio (São Paulo: Cultura Acadêmica, 2013), relatou que ele era preso em todo primeiro de maio. Sua derradeira prisão ocorreu no dia 1º de maio de 1970, na comemoração pelo Dia Internacional dos Trabalhadores. Foi a primeira grande manifestação depois do golpe de 1964, convocada por 13 sindicatos e oposições. Havia muitas famílias, cerca de 500 pessoas no estádio. Logo na chegada, Olavo percebeu que o lugar estava sendo policiado. Avisou aos militantes e juntos começaram a deixar o local. Entretanto, a movimentação foi percebida e Olavo foi preso com mais 18 pessoas. O grupo foi levado ao 1º Distrito Policial-Sé, depois ao Quartel General da Polícia Militar. À tarde, eles foram levados para a Oban (Operação Bandeirantes), mas em vista da prisão dos militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) que faziam treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira, no dia 2 de maio todos foram transferidos para o Dops.
Extratos da Comissão da Verdade de São Paulo – Rubens Paiva
Leia mais:
http://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/mortos-desaparecidos/olavo-hanssen
Olavo Hanssen continua vivo na memória da cidadania de Mauá e dos trabalhadores do Sindicatos dos químicos do ABC, que concederam seu nome a ruas, praças e escolas (Colégio Estadual Olavo Hanssen) da região.