Solidariedade ao governo e povo cubano


O ataque desesperado do imperialismo norte-americano contra a República bolivariana da Venezuela, se estende ao Estado operário cubano. Isso demonstra que não é uma simples ofensiva de saqueio de recursos, mas de violência estrutural ou ideológica de classe contra todos que representam justiça social, igualdade e soberania. Desde Gaza, Venezuela, Irã e Cuba se evidencia que se agrava o ataque sistema contra sistema, ao borde de uma guerra mundial.

A reação imediata do presidente Miguel Diaz-Canel de solidariedade à Venezuela contra o ataque dos EUA, e a homenagem aos 32 heróis cubanos caídos em combate, demonstram o nível de consciência e decisão política do povo e da direção cubana deixada por Fidel: “Povos da América, temos que cerrar filas!”

“O povo de Cuba não é anti-imperialista por manual; o imperialismo nos fez anti-imperialistas. Mas não apenas Cuba. O mundo será cada vez mais anti-imperialista a partir deste ataque a todas as normas internacionais, desta ofensa à inteligência e à dignidade humana, deste ato de prepotência criminal com o qual um Estado soberano foi atacado por um império que despreza o resto das nações”, disse Diaz-Canel.

“Aqui estamos, não um, mas milhões de continuadores da obra de Fidel, de Raúl e de sua heroica geração. Teriam que sequestrar milhões de nós ou desaparecer conosco do mapa e, ainda assim, o fantasma deste pequeno arquipélago que tiveram que pulverizar por não poder submetê-lo os perseguiria para sempre”, disse ele, enquanto de todos os cantos se multiplicavam aplausos e os gritos de “Pátria ou morte!”.

“Não, senhores imperialistas: não temos absolutamente nenhum medo e, como disse Fidel, não nos agrada que nos ameacem; vocês não vão nos intimidar

“Eles não apenas defenderam a soberania da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores; defenderam a dignidade humana, a paz, a honra de Cuba e da nossa América. Foram a espada e o escudo dos nossos povos diante do avanço do fascismo e serão para sempre um símbolo, uma prova de que não existe povo pequeno quando sua dignidade é tão firme. Obrigado pela coragem e pelo exemplo, companheiros”.

Após ocupação e ataques no mar do Caribe, seguido de bombardeio e sequestro do presidente Maduro e Cília Flores, Cuba passou a ser alvo. Trump disse que nenhuma gota mais de petróleo venezuelano chegaria à Ilha. A Venezuela vinha sendo o maior parceiro energético e aliado político de Cuba. Em 29 de janeiro, Trump assinou um decreto de tarifas de importação contra qualquer país que ousar enviar ou vender petróleo a Cuba.

Situação de Cuba

Como dito pelo Frei Betto, tal ingerência dos EUA é “uma forma de acirrar o bloqueio econômico, comercial e financeiro de mais de 60 anos”. O bloqueio tem sido uma decisão contrarrevolucionária do imperialismo contra Cuba, exemplo de dignidade e resistência. O que a mantém é a estrutura socialista do Estado que permite garantir aos 10 milhões de cidadãos, saúde, cultura, ciência e educação, trabalho e moradia e sobretudo união, solidariedade humana e consciência política de que o grande inimigo de Cuba e da humanidade é o império capitalista usurpador e guerreiro.

A alta dependência do país ao petróleo, e a consequente escassez energética produz apagões diários constantes, alternando-se de bairro a bairro, incidindo no funcionamento de geradores hospitalares e universitários.

Senira Beledelli, da Associação Cultural José Martí do Rio Grande do Sul, descreve a situação atual: Diante da escassez, o governo cubano retomou medidas adotadas durante o chamado “período especial”, como a redução das jornadas de trabalho, a suspensão parcial de aulas universitárias, a diminuição do transporte público e a realocação de combustíveis para garantir água e serviços essenciais. Paralelamente, o Estado iniciou a instalação de sistemas fotovoltaicos em áreas rurais, centros de saúde e residências de trabalhadores essenciais.

Certamente algumas limitações econômicas no campo energético poderiam ter sido superadas ao largo de tantos anos desde a tomada de poder. O cientista brasileiro Bautista Vidal defendeu com persistência a possibilidade de produzir a energia renovável e limpa da biomassa, extraindo o álcool da cana de açúcar. Uma tese de simples aplicação sobretudo num país de extensa monocultura de tal produto. Provavelmente se Che Guevara, defensor de uma industrialização nacional rompendo a dependência à monocultura da cana, estivesse vivo, teria adotado no devido tempo a energia da biomassa ou solar. Porém, o espírito não é de deter-se na crítica à direção do Estado operário cubano, mas de propor ideias, soluções de curto prazo, solidarizar-se diante da emergência nacional e impedir um ataque contrarrevolucionário incontrolável dos EUA.

Todo apoio à campanha nacional e internacional por Cuba

Apoiamos as mobilizações e organizações brasileiras na campanha Petróleo para Cuba, que pede à Petrobrás e ao governo brasileiro um envio emergencial de combustível à Ilha. A iniciativa vem do Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e Causas Justas, entidades populares, centrais sindicais, partidos políticos e personalidades, com apoio de federações nacionais dos petroleiros. A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP), negociam e pedem urgência à Petrobras o envio de petróleo bruto ou refinado.

O presidente Lula da Silva (PT) tem defendido o apoio a Cuba e dito que o PT “tem que encontrar um jeito de ajudar”. Aguarda-se uma postura governamental, inclusive dentro da CELAC para estender braços a Cuba. O BRICS, do qual Cuba é membro parceiro a partir da Cúpula de Kazan em 2024, deveria ver a forma de cooperação.

O México com sua presidenta Claudia Sheinbaum disposta a romper o cerco, continuará enviando petróleo a Cuba seguindo contratos anteriores; enviará uma ajuda humanitária de 814 toneladas, que incluem 277 ton de leite em pó, 536 ton de alimentos de primeira necessidade e artigos de higiene pessoal. Dois navios (Papaloapan e Isla Holbox) já chegaram neste mês a Cuba.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declara apoio à Venezuela, sob ameaças internas e externas da direita narcotraficante. Sentou-se com Trump, mas não negociou nenhuma entrega; dedicou maior parte da viagem nos EUA a dirigir-se ao povo norte-americano aos intelectuais e estudantes da Universidade de Georgetown, onde argumentou contra a “cobiça” pondo em dúvida o sistema capitalista do país anfitrião. Tem sido um dos poucos presidentes latino-americanos atentos à formação política marxista de uma vanguarda, e a ganhar a cidadania norte-americana à beira da explosão social, porém, órfã de uma liderança revolucionária ou um partido que transcenda os Republicanos e Democratas.

A Rússia, segundo Peskov já se move em ajuda à Cuba. Na China, o ministro das Relações Exteriores, Lin Jian disse: “A China, como sempre, fornecerá a Cuba apoio e assistência da melhor forma possível”. De fato, enviou 60 mil toneladas de arroz e liberou 80 milhões de dólares como ajuda de emergência.

Solidariedade e Pressão Politica

Se amplia o movimento de solidariedade a Cuba no Brasil. Entre outros, o Movimento de Solidariedade com Cuba e Causas Justas. O movimento inclui Brigadas de Solidariedade, com participantes internacionais para viver a realidade do país e exercer trabalhos voluntários. intercâmbio de trabalho voluntário. O Instituto Cubano de Amizade entre os Povos (Icap) e a Amistur Cuba S.A. contribuem em parceria para viabilizar esta campanha que requer ações urgentes e concretas. Artistas, intelectuais e organizações populares, como o MST tem enviado doações de medicamentos. Ações semelhantes têm sido realizadas pela Palestina e Venezuela. A solidariedade implica também na difusão midiática da verdade sobre Cuba ao povo brasileiro. Veja exemplo de explicação didática de Breno Altman.

A Frente Nacional de Petroleiros (FNP) e o Movimento dos Sem Terra (MST) insistem que bastariam 6 dias de produção na Petrobrás para suprir a necessidade anual de petróleo em Cuba. A FNP diz: “É viável e plausível que o nosso país encabece essa campanha de solidariedade internacional” … “Sem energia, não há hospitais, não há escolas, não há produção de alimentos. Negar energia a um povo é uma violação sistemática dos direitos humanos”.

O MST diz: “O recrudescimento constitui genocídio prolongado, causando escassez de combustível que paralisa hospitais, escolas e transporte. É urgente uma campanha internacional por envio de combustível, alimentos e medicamentos. Convocamos o governo Lula a seguir o exemplo do México e enviar petróleo a Cuba, numa decisão humanitária, política e histórica para evitar catástrofe humana e reafirmar compromisso com soberania, paz e solidariedade”.

Cuba é frágil militarmente estando a poucas milhas do agressor imperialista dos EUA. Mas Cuba vencerá graças à solidariedade internacional e decisão histórica de luta e consciência do povo cubano. O exemplo da resistência contra o nazi-fascismo na URSS, do povo vietnamita e palestino está na cultura das crianças, mulheres e velhos cubanos.

PosadistasHoje
20 fevereiro de 2026

 

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