O Fórum em Barcelona, e o papel de Lula contra o neoliberalismo fascista na América Latina
A Conferência do “Fórum Democracia Sempre”, realizada nos dia 17 e 18 de abril de 2026, em Barcelona, na Espanha, merece um destaque, considerando a gravidade do momento político global atual e a ausência de debate através de instrumentos de Frente Única aglutinadores de forças progressistas e da esquerda europeia e latino-americana. Barcelona sediou a 4a. Reunião de Alto Nível do “Fórum Democracia Sempre”, onde reuniram estadistas, representantes de governos de 17 países, políticos de esquerda e progressista, lideranças sociais e sindicais e uma militância robusta focados em debater temas importantes como o fortalecimento das instituições democráticas, multilateralismo e o combate ao autoritarismo neofascista.
O encontro ocorreu num momento de crise aguda das burguesias europeias, de enfrentamento EUA versus OTAN, em meio a tensões mundiais, como os conflitos armados contra o Irã e no Oriente Médio, tendo como os principais autores dessa desordem insana, os regimes sionista e imperialista, acendendo um alerta no mundo contra os efeitos lesivos e irreversíveis nas economias e vida das populações. É principalmente nos países mais pobres que os impactos serão devastadores com os aumentos nos custos de energia, resultando em mais fome e mais miséria, consequência dessa política criminosa dos EUA e Israel.

Nesse contexto, as manifestações populares em países da América Latina sob governos reacionários da direita neoliberal, eclodem, sem esperar por iniciativas de lideranças unidas e organizadas. Bolívia é um exemplo. Esta se avoluma graças à tradição das lutas dos mineiros da COB, da Federação de Trabalhadores Camponeses e professores. O exemplo se estende ao Equador, ao Peru que exige novas eleições, e à Colômbia que luta por assegurar o ascenso de Ivan Cepeda para continuar o governo do presidente Gustavo Petro.
A presença e discursos significativos em Barcelona de lideranças como Lula, Pedro Sanchez da Espanha, Cláudia Sheinbaum do México e Gustavo Petros da Colômbia destacavam a necessidade de uma rebelião global para fazer frente ao avanço da extrema direita no mundo e barrar a sanha imperialista de querer impor no mundo o retorno da colonização. Lula tem sido protagonista central dessa campanha global contra o império da guerra, em defesa das democracias e das soberanias dos países, que os principais meios de comunicação internacional e redes sociais não puderam ocultar. Foi importante também a participação do atual governador peronista-kirchnerista, Axel Kicillof, da província de Buenos Aires, candidato e possível futuro presidente da Argentina em 2027, atualmente dominado pelo neoliberalismo-fascista de Milei. Importante o apoio político bilateral que recebeu de Lula e Petro e outros países para sua governação atual. Não faltaram vozes presidenciais como Cláudia Sheinbaum e Lula reivindicando Cristina Kirchner livre!


A iniciativa da Conferência pela Democracia teve relevância neste contexto da conjuntura geopolítica mundial, onde os processos democráticos e soberanos dos países estão sendo violados por invasões externas, imperialistas de forma descarada e aberta como no caso da Venezuela com o sequestro do presidente Maduro e esposa Cília Flores, do bombardeio e assassinato do ayatolá Khamenei no Irã, e as ameaças de invasão contra Cuba. O México de Claudia Sheinbaum tem rompido o bloqueio contra Cuba, enviando-lhe várias embarcações de ajuda alimentar e energética. E Petro da Colômbia, a exemplo da China, decidiu: “se há excedentes de arroz na Colômbia, devem ser comprados e levados de urgência a Cuba”.
A solidariedade a Cuba é um gesto de resistência anti-imperialista-sionista e é necessário intensificar uma campanha internacional de apoio ao povo cubano, a exemplo da Rússia que, desafiando as sansões e o bloqueio americano, enviou petroleiros com 730.000 barris de petróleo para ajudar Cuba na escassez de combustível e da China que instalou e construiu 75 parques solares abastecendo a ilha de energia solar, e agora, o envio de 15 mil toneladas de arroz. O movimento de solidariedade a Cuba enviou 1.000 paínéis solares.

Este Fórum dá um passo iimportante nesse sentido ao adotar a iniciativa de uma ação conjunta dos governos do México, Brasil e Espanha que emitiram uma declaração de apoio a Cuba, e prometeram “intensificar a ajuda e defender uma resposta coordenada para aliviar o sofrimento da população cubana por meio de ajuda humanitária. “O Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, retribuiu o carinho e a solidariedade dos parceiros: “Em meio à difícil situação que Cuba enfrenta, devido a intensificação do bloqueio dos EUA a níveis extremos, ao atual cerco energético e ás constantes ameaças do governo dos EUA, reconhecemos a digna e solidária Declaração Conjunta emitida pelos governos do Brasil, Espanha e México”. Este Fórum é também uma sinalização a não esperar que a ONU cumpra seu papel de mediador nos conflitos internacionais, devido à sua recente fragilidade expressa.
É preciso debater a consolidação da verdadeira democracia
Como se dá a consolidação das verdadeiras democracias soberanas como representatividade, participação popular, direitos humanos, justiça social, apontadas por este Fórum? O evento deu o recado, sobretudo da necessidade de uma organização internacional das esquerdas que introduza no centro do debate os desafios globais que estão colocados em um mundo sem direção política revolucionária. Agora, toca aos partidos e movimentos políticos definir e instaurar, nos países, a luta pela verdadeira democracia. No que consiste?
A maior luta pela DEMOCRACIA no mundo está sendo colocada, neste momento, na Venezuela contra o sequestro de Maduro e o assassinato de militares, civis venezuelanos e soldados cubanos pelos EUA; contra o governo de direita Rodrigo Paz combatido pelo povo boliviano; assim como os palestinos e libaneses que resistem à guerra que Israel e EUA fomentam na região; a mobilização em Donbass, onde o recente ataque terrorista da Ucrânia contra a Escola e campus universitário na cidade de Starobelsk em Lugansky causou a morte de 18 estudantes russos. Tudo isso, sem falar da iniciativa da corajosa juventude das “Flotilhas Sumud” partidas de Barcelona e de todo o mundo rumo a Gaza.


As ações concretas estão sendo tomadas pelos russos ao enviarem petróleo para Cuba e os chineses com energia fotovoltaica e arroz, na defesa do governo e povo cubano, que com uma revolução socialista, instaurou a verdadeira democracia dos direitos humanos à educação, saúde, casa e comida, hoje boicotados e ameaçados pelos EUA. A vitória dos iranianos, mesmo com as perdas irreparáveis de mortes do seu povo e a destruição de sua infraestrutura, significará uma vitória e impulso à luta de todos os povos contra o imperialismo.
O papel de Lula no contexto internacional e nacional
Lula é um expoente da política internacional com todos os seus limites dentro do Brasil. Logicamente, como uma das lideranças que criou o BRICS é muito considerado, dado que um dos focos da luta do imperialismo anglo americano sionista é combater o BRICS. Lula toca em assuntos extremamente importantes para a ordem mundial como é a utilização de outras moedas nas transações econômicas e a utilização de um outro sistema de transações econômicas como alternativa ao swift. A utilização de uma cesta de moedas nas transações econômicas é um dos pontos mais importantes da luta anti-imperialista pois o dólar há muito tempo tem sido utilizado como uma das principais armas pelos EUA contra o mundo, financiando a decadência econômica dos EUA e suas guerras eternas. Um fator de ataque do imperialismo a Kadafi foi quando emitiu a ideia de uma nova moeda, o dinar de ouro africano.
Ao denunciar que se gasta trilhão de dólares em guerras e pouco no combate à fome, Lula, para ser coerente com o seu pacifismo, se vê impelido a fazer críticas à Rússia, China e Irã como senhores da guerra. Emitir tais críticas pode ser um equívoco, ou conciliação, impelido por conservadores no Itamaraty, com setores da burguesia nacional e internacional. Suas palavras respondem à própria esquerda que não entende o que significa a operação especial militar dos russos na Ucrânia. Não entender, ou ceder a setores da burguesia o que está em jogo no Irã, tem um risco, pois se cai o Irã, cai todo o Oriente Médio, e o Israel sionista se verá mais livre, para matar e ocupar territórios. Não bastarão brasileiros como Thiago Ávila arriscando suas vidas em Flotilhas Global Sumud para parar a guerra.
O debate nacional
No contexto pré-eleitoral, o escândalo do Banco Master e a comprovada corrupção de Flávio Bolsonaro e família, certamente aumenta a possibilidade de vitória e continuidade de Lula presidente. É hora de mobilizar o povo, discutir “olho no olho” e explicar a importância de manter o governo Lula para aprofundar as conquistas já realizadas e garantir novos projetos. Não reduzir a batalha eleitoral ao tema da “corrupção” ou da “não anistia aos golpistas”, ao que é “mais democrático, ou menos repressivo”. A correta tática de aumentar a força do PT, das forças progressistas e de esquerda no Parlamento, deve ser acompanhada da campanha programática e mobilização nas bases, ruas, fábricas e escolas. Tudo isso, sem abandonar a guerra nas redes sociais, num país onde a empresa Parlantir, do Vale do Silício (USA), já instalada no Brasil, e promotora de armas de I.A. (Inteligência Artificial) pode entrar na campanha eleitoral de forma destrutiva como em suspeitosa atuação a favor de governos como do libertário Milei.
Lula deve anunciar a defesa da criação de uma empresa estatal para exploração das terras raras, já que não pudemos reverter o maior crime de lesa pátria contra o Brasil que foi a venda da Vale do Rio Doce e tantas outras estatais que determinam ou não soberania de um país.
Como temos comentado, o Brasil está sob ataque há anos. Se apoderaram das nossas riquezas e setores estratégicos sem disparar uma bala. Não fomos capazes de lutar ou ir à “guerra” em defesa das nossas empresas estatais que determinam a soberania de um país. Nos restaram algumas estatais, ou parte de estatais como a Petrobrás (privatizaram o setor de gás, de distribuição de gasolina e diesel, refinarias, poços de petróleo), agora mesmo, privatizaram a Eletrobrás, antes a CSN, Acesita, engessaram o Banco Central, dominaram o setor financeiro, engessaram o BNDES, privatizaram a conta movimentação de capitais e resseguros do Brasil etc…
O Governo Lula com a recriação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), juntamente com a CONAB e INCRA, busca consolidar uma política que possibilite o avanço tecnológico no campo, do crédito rural, fortalecer o Programa de Aquisição de Alimentos da agricultura familiar (PAA), junto com o MDS, e o Programa Cozinhas Solidárias, e o Programa Arroz da Gente. São programas importantes, mas carecem de recursos financeiros. Os processos burocráticos são lentos. A reforma agrária é lenta.
A agricultura brasileira é a maior consumidora de agrotóxicos do mundo, com a contaminação do solo, das águas e dos seres humanos. Precisamos reverter urgentemente esta tragédia brasileira. Como pode a agricultura brasileira depender de insumos importados como na proporção atual? O país ensaia programas de tecnificação do campo, e perde a oportunidade de fortalecer a tão desejada re-industrialização do país. Falta um programa de fortalecimento de pequenas fábricas, espalhadas pelo país, de implementos e equipamentos agrícolas nacionais. Já passamos da fase de experimentação, de modelos demonstrativos e se faz necessário um programa nacional audacioso e que articule campo-cidade.
Estas são lutas atuais e futuras, é um processo em curso e que somente com a reeleição de Lula Presidente será possível instalar uma correlação de forças suficiente para implementar um PROGRAMA DE TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS PARA O PAÍS e FORTALECER a luta nacionalista e pela soberania popular para o país.
Lula é essencial neste processo. Não obstante a oposição privatizante, Lula tem tentado recuperar setores estatais como a própria Petrobrás e onde pode, implementado a obrigatoriedade de no mínimo 60% de conteúdo nacional, como por exemplo, no setor naval.
É essencial que neste processo eleitoral que já se inicia, o governo acentue a comunicação institucional e dos meios comunitários para informar e dar voz ao povo para exercer um exemplo do que é a DEMOCRACIA POPULAR, com participação no Orçamento Participativo e nas decisões de interesse da sociedade por meio de assembleias populares em cada município em cada cidade e em cada bairro. As mobilizações em defesa da redução da jornada de trabalho, pelo fim da escala 6×1 já está na boca do povo, mas é preciso organizar a sociedade para exercer plenamente a verdadeira democracia e ela só é real com a ampla participação popular.
Comitê Editorial
Posadistas Hoje
24/05/2026
Foto de Destaque: Presidentes do Uruguay, México, Colombia e Brasil no Forum em Barcelona (Crédito: CNN)