As guerras imperialistas e a unificação China-Rússia
As brutalidades das guerras de invasão promovidas pela crise global e final do capitalismo mundial, seja através dos EUA, da OTAN ou de Israel, alertam para um descontrole que pode levar a uma guerra nuclear. Enfim, decisões históricas deverão ser tomadas neste momento de crise global do capitalismo que não abandonará o barco da história sem agarrar-se com unhas e dentes à sua sobrevivência sistêmica. E este é o nó crítico da história, neste momento.
A elite mundial tem nome, CPF, CNPJ e localizador satelitar. Ela se serve dos magnatas fundadores da Palantir Technologies, Peter Thiel, e donos do Vale do Silício, maiores financistas do mundo, sediados nos EUA administrando e sugando trilhões de dólares dos governos, fundos de pensão, saúde, educação e instituições financeiras. Em tom ameaçador, nem se oculta a dedicação à segurança internacional, ao controle da cidadania, ao tecnofascismo e às ações militares.
Entretanto, isso se dá no auge de uma crise sistêmica final do capitalismo, de histeria de guerra, e de rebeliões de massas nos EUA, na América Latina e mundo afora; e de um avanço tecnológico da China que exerce uma inigualável força competidora, dirigindo o novo “mundo multipolar”. A China, a Rússia, o Irã, o Brasil continental sob Lula, forças centrais do BRICS, e a Organização de Cooperação de Xangai, ao negociarem fora do dólar e com um outro sistema de transações financeiras, em substituição ao dólar e ao Swift, dão um duro golpe aos EUA; fraciona-se o petrodólar, com a possível saída da Arábia Saudita.
No BRICS não há unidade ideológica entre as direções dos países membros, mas adotam-se medidas econômico-comerciais que, fora da dominação e tutela dos EUA, abrem chances de ruptura com o neoliberalismo e de desenvolvimento soberano dos países. A caracterização de mundo multipolar surge como definição de países que rompem com a hegemonia unipolar do imperialismo norte-americano/europeu. Ao largo da história, definirão suas posições na guerra sistêmica inevitável entre dois polos contrapostos: capitalismo ou socialismo. A força econômica propulsora e decisiva do BRICS são a China e Rússia, países baseados em Estados operários.
O papel da Rússia na guerra na Ucrânia
No artigo aqui publicado “A crise EUA-OTAN e a guerra na Ucrânia”, vemos como na Ucrânia o boicote aos acordos de paz por parte de Zelenski e OTAN, é sistêmico. Derrotados frente à resistência russa, o imperialismo, através do Israel sionista, ataca o Irã; sobretudo por ser o Irã, um país da Rota da Seda e membro do BRICS, não apenas produtor de energia petroleira ou nuclear. O ataque criminoso em Starobelsk (Lugansk) ocorre logo após o recente encontro histórico em 20 de maio, entre Putin e Xi-Jiping em Xangai; e dias após o vexame e fracasso de Trump e sua escolta empresarial em Pequin, frente ao indomável competidor econômico chinês.


A Rússia acaba de reagir bombardeando objetivos militares em Kiev com misseis Oréshnik, em resposta aos ataques de drones, fornecidos à Ucrânia pela OTAN, perpetrados contra o centro educacional de Starobelsk en Lugansk, que abrigava 86 jovens (entre 14 e 18 anos), causando 18 mortos, 39 feridos e 15 desaparecidos. Putin, logo após o massacre advertiu: “Temos claro e, fica novamente patente, com quem estamos enfrentando, contra quem lutamos e por que? Esta é uma expressão de neonazismo, que confirma uma vez mais seu caráter terrorista”. Putin, convocou a imprensa internacional a filmar a destruição provocada pelo crime de guerra contra os estudantes em Starobelsk. Publicado no RT.

A China, com relação à guerra na Ucrânia, apesar de se manter neutral, tem uma direção consciente alinhada com a Rússia; fornece componentes de alta tecnologia para a defesa russa e incrementa os exercícios militares conjuntos. A China tem ajudado o Irã frente a esta guerra do imperialismo; e vice-versa, o Irã abre o estreito de Ormuz à exportação de petróleo à China. Os laços entre Putin e Xi-Jiping aumentaram desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, mantendo visitas mútuas anuais.
Os encontros Xi-Jiping/Trump e Xi-Jiping/Putin
Dois encontros de significado histórico no arco de uma semana, em território chinês. Todos os caminhos levam à China. Xi Jinping altaneiro, sereno e confiante na condução da China, encontra Trump em Pequim, sonolento, decadente, trapaceiro, bisbilhotando a agenda de Xi Jinping. Em contrapartida, faz uma calorosa acolhida a Putin em Xangai que se sente na sua casa comunista: a da igualdade social, da ciência e tecnologia para o povo e expõe centenas de ideias da agenda em comum com Xi Jinping.


A humanidade está de olho nestes dois cenários. A conduta de Trump é inocultável: o retrato de uma sociedade decadente. No maior país capitalista do mundo, a tecnologia serve para o desemprego em massa, sem-tetos nas ruas, pobreza, controle repressivo da cidadania, expulsão de imigrantes, e guerras militares eternas. Tudo, num clima de violência interna, controvérsias na cúpula governamental, instabilidade, atentados ou auto-atentados.
Enquanto isso, em Xangai, Putin e Xi-Jiping tiraram uma declaração conjunta de coordenação estratégica. A China e Rússia assinaram 20 acordos de cooperação bilateral em vários campos: cultura e educação, saúde, segurança, energia, inovação tecnológica, incluindo a IA. O Encontro é o pré-anuncio da construção de um gasoduto transiberiano da Rússia à China (Xangai) de cerca de 2.600 km, muito favorável a ambos países. A Rússia deixou de exportar gás à Europa e com esse gasoduto transiberiano a China não dependeria do transporte marítimo (desde o vulnerável estreito de Ormuz).
Avança a unificação China-Rússia como um acelerador da crise mundial do imperialismo e detonador de todos os seus ataques de guerra contra a Ucrânia, Palestina, Irã, Venezuela e Cuba, rumo à guerra global de subsistência, fadada historicamente ao fracasso.
Cabe aos partidos comunistas, de esquerda e às lideranças dos movimentos antifascistas a ativarem uma grande batalha cultural pela verdade, formando a opinião pública nas redes sociais. O exemplo da China serve para a adoção do seu modelo econômico de desenvolvimento local por parte de governos populares e Estados Revolucionários da América Latina e África, mantendo relações de importação e cooperação tecnológica de Estado a Estado. Qual o modelo para dar uma vida digna e sem exploração à população? A da estatização da propriedade privada, do planejamento, do controle social representando a maior democracia do planeta, do controle do setor financeiro pelo Estado e controle dos setores chaves da economia. As relações de produção determinam as relações humanas. Enquanto os EUA são campeões dos bloqueios à Cuba, Venezuela, Irã, etc… China acaba de enviar um navio com15 mil toneladas de arroz e vários painéis solares a Cuba.
O Estado Operário chinês, em poucas décadas, tirou uma geração de milhares de chineses da pobreza. Não somente passou a ser a fábrica de manufaturas do mundo, mas criou um povo culto e solidário. O fato de que a importação de produtos chineses derrube a produção nacional dos países em vias de desenvolvimento, não é produto da «invasão capitalista» chinesa, mas da falta de Estado, de monopólio de comércio exterior, de projeto de soberania e defesa da indústria nacional por parte de governos importadores privatizantes e reacionários de direita, como na Argentina, Bolívia, Equador e outros.
Momentos históricos críticos
Certamente, a unificação da China com a Rússia, mudou a correlação de forças a nível internacional a favor do socialismo, mesmo com todas as características sui-generis do desenvolvimento da Rússia e China. Como temos analisado, mesmo após a queda da URSS, o avanço da Rússia e China rumo ao socialismo se dá em forma desigual e combinada. Em ambos países se expressam direções conscientes à necessidade do enfrentamento com o imperialismo anglo-americano-sionista, mas não organizando diretamente as massas ou movimentos mundiais para avançar ao socialismo. O processo de regeneração, de superações burocráticas com intervenções internas de organismos de massas, por sua vez, haverá de avançar à medida em que se discuta e se estenda a revolução mundial.
Diante da urgência de uma Frente Anti-imperialista Mundial mais organizada como necessária, cabe apoiar incondicionalmente a Rússia, a China, o Irã, Cuba, a Coreia do Norte, Nicarágua, os BRICS, a Organização de Cooperação de Xangai, etc. Há que entrar na disputa ideológica mostrando o progresso da China como exemplo para a construção do socialismo, mesmo que seja o socialismo “com características chinesas”. Defender a superioridade da planificação estatal do Estado operário chinês, acompanhar o PCC e incentivar as comunas.

Há que debater que não se trata apenas do progresso e das limitações da China como exemplo, mas que a luta é sistema contra sistema, e isto significa que mesmo a China com todo o progresso excepcional, só terá futuro se contar com a luta de um conjunto de nações que avancem ao socialismo, ou avancem como Estados nacionalistas revolucionários ou como países anti-imperialistas. O progresso econômico neste momento histórico é importante; mas a economia para as massas precisará da organização política para avançar ao socialismo, ou mesmo no campo da guerra militar global contra o imperialismo anglo americano sionista.
De novo: até quando Rússia e China suportarão este retrocesso histórico que assistimos que é próprio de um sistema que está sendo superado por outro sistema social superior? O encontro entre Putin e Xi-Jiping indicam que se preparam unidos, com superioridade econômica, militar e apoio social. As decisões se tomam entre Moscou-Pequim, mas os impulsos devem vir das massas e dos processos revolucionários de todo o mundo.

O levante popular da COB e camponeses na Bolívia, com pré-anúncios no Equador e Peru mostram que, mesmo sem direções as massas não podem esperar. Falta a Frente Única organizada, o debate político dos partidos de massas, e movimentos revolucionários da América Latina, da Ásia, África, da Europa e dos EUA. Não apenas como vencer eleições, mas como avançar de Governos populares, a Estados Revolucionários rumo a Estados operários e, destes, rumo ao socialismo (abrangendo as diversas nuances possíveis de salto, desde México, Brasil, Colômbia, Cuba, Venezuela, Irã, etc…). Urge uma Frente Única anti-imperialista ou uma V Internacional como propôs Hugo Chávez.
PosadistasHoje
24/05/2026
Foto Destaque: Putin e XiJiping em Xanguai (Brasil de Fato)
Manifestações contra o bloqueio em Cuba na Espanha e Itália:

